os dias do minotauro

"porque pertenço à raça daqueles que mergulham de olhos abertos

e reconhecem o abismo pedra a pedra anémona a anémona flor a flor"

 

Sophia de Mello Breyner Andresen

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sábado, setembro 17, 2011


 

 

 

As horas

 

 

A visita periódica dos velhos demónios é ritual que se desgasta, mas não se esgota, com a passagem do tempo. As horas convertidas em noites, em anos, e então a familiaridade converte-se numa espécie de simpatia. O terror cede lugar ao mero amedrontamento. A dor excruciante converte-se em amena perturbação. Há uma espécie de ternura no hábito do conhecimento do inferno.

 


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sexta-feira, setembro 16, 2011


 

 

 

O ponto de vista dos demónios

 

 

É uma espécie de purgatório, a idade balzaquiana, que abriga a metamorfose que se desdobra, demasiado lentamente, entre a adolescência e a verdadeira idade madura. Saber o que fazer com os demónios domesticados, acomodá-los nos recantos escondidos da casa, esperando qualquer coisa entre o tumulto apavorado da insónia e a familiaridade da convivência ao redor da mesma mesa. Esperar o tempo em que a urgência do próprio sono se desmaterializa, o tempo de uma refeição partilhada de igual para igual, quando os dias não mais se alimentarem dos meus ossos.

 


posted by saturnine | 15:30 | 0 comments

 

 

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quinta-feira, maio 10, 2007


 

 

 

Dia recorrente

 

 

Ter dentro um bicho que salta. Um bicho vivo que come, que morde, que rói, que gasta. O lugar fechado de um peito, caverna escura, recôndita, lugar insuficiente para um bicho de membros enrolados, entorpecidos, raivosos. O bicho morde e come e engorda e inquieta-se - quer crescer. Quer crescer e não pode. O bicho acorda em momento incerto, rasga a pele num lugar de fragilidade - de ferida - onde o tecido se deslaça, semi-translúcido, como o linho roto, poído, de uma saia muito usada. Salta e abocanha, com dentes gigantescos, cada naco de gente, de mundo, ao alcance dos seus braços esfomeados. Ter dentro um bicho que salta, rebelde, e destrói. Depois recolhe triste, mudo, encolhido, à escura caverna onde habita. Prega-se às paredes do peito como um molusco. Finge-se de morto. Não se dá por ele durante muitas noites a fio. Ouve-se apenas, quando o silêncio é denso, uma respiração pesada como o som de pedras a rolar montanha abaixo.

 


posted by saturnine | 22:16 | 3 comments

 

 

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domingo, fevereiro 25, 2007


 

 

 

Dig a hole (Candy, Candy, Candy, I can't let you go)

 

 

I've had this hole in my heart for so long
I've learned to fake it and just smile along

 


posted by saturnine | 03:42 | 0 comments

 

 

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sábado, janeiro 14, 2006


 

 

 

Dia incompleto

 

 

porque é que tão cedo, e tão de súbito, tudo me falta?

 


posted by saturnine | 02:17 | 1 comments

 

 

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quarta-feira, janeiro 11, 2006


 

 

 

S.

 

 

repetidas vezes te neguei por não querer o tempo que nos excede. e que fazer agora do querer-te, quando o tempo me nega o teu abraço?

 


posted by saturnine | 03:38 | 1 comments

 

 

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terça-feira, janeiro 10, 2006


 

 

 

confesso:

 

 

aqui, desconheço-te. a enfermidade da sede inflamava a mentira da água verde. enquanto isso, também nesta pedra de peito se engendrava uma mentira: I will miss you when you're across the sea. tu, que não me deixarias demorar nas sombras muito mais que meia hora. o abandono era o nó, não a sede. cortado o nó, promete-me que não me faltará o teu abraço.

 


posted by saturnine | 02:19 | 0 comments

 

 

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segunda-feira, janeiro 09, 2006


 

 

 

?

 

 

o que eu queria saber é porque me desamas tu, porque foi tão grande mentira essa água verde dos teus olhos, porque me morre a sede na garganta em ferida.

 


posted by saturnine | 03:15 | 0 comments

 

 

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domingo, janeiro 01, 2006


 

 

 

 

 




"If I had a tumour I'd name it _______________."

 


posted by saturnine | 17:41 | 0 comments

 

 

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segunda-feira, dezembro 12, 2005


 

 

 

das palavras proibidas

 

 

amo-te. a ti e a essa água verde interdita na tua boca, esse lugar onde a palavra corpo adquire substância e sentido.

 


posted by saturnine | 13:51 | 1 comments

 

 

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domingo, setembro 25, 2005


 

 

 

It's not even closing time and already stars are falling out of the sky *

 

 

acomoda-se o mundo à estreiteza dos dias. o meu velho demónio espera-me na garganta da terra. a memória do amargo fruto ainda ácida na boca. o outono constrói-se subitamente de um rumor de desejos falhados e folhas secas. antecipa-se em mim o frio que há-de vir, o degredo das noites longas, até que as horas se diluam.











* American Music Club

 


posted by saturnine | 16:39 | 0 comments

 

 

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Pablo Picasso

Minotauro

 

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Lhasa

Soon this place will be too small

 

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into the labirynth

 

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